segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Somente Cristo - Watchman Nee

Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que Eu sou. (Jo 8:28)
Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele, em glória. (Cl 3:3-4)
Pois nele foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam trono, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as cousas. Nele tudo subsiste. Ele é o cabeça do corpo, da igreja. Ele é o principio, o primogênito entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia, porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude, e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as cousas, quer sobre a terra, quer nos céus. (Cl 1:16-20)

O conceito e a petição do homem

A dádiva que recebemos da mão de Deus é Seu Filho, Jesus Cristo. No entanto, bastante variada é a compreensão de muitos com respeito ao Senhor Jesus. Se você me permite dizer, dentre os filhos de Deus alguns consideram o Senhor Jesus como uma dádiva de Deus, enquanto que outros O apreciam como a única dádiva de Deus. Alguns recebem o Senhor Jesus como sua própria dádiva, pois crêem que há muitas dádivas além Dele - dádivas que podem passar por milhares ou dezenas de milhares de números; enquanto que outros confessam o Senhor Jesus como o dom de Deus, ou seja, Ele é o único dom de Deus.
Muitos recebem o Senhor Jesus e são, então, salvos. Mais tarde, porém, aprendem que ainda possuem muitas deficiências e necessidades. Alguns podem descobrir que seu temperamento irascível persiste mesmo após serem salvos; outros notam que seu orgulho os segue; enquanto outros percebem que sua covardia permanece com eles.
Na experiência dos filhos de Deus é freqüentemente observado que muitos, após terem sido salvos, perguntam, esperam, crêem e oram diante de Deus com respeito a muitas dádivas, as quais eles recebem no devido tempo. E eles numeram a Cristo entre as fileiras dessas muitas dádivas considerando-O como umas das dádivas de Deus apesar de admitirem que Ele é o primeiro e Aquele que vai à frente dos dons de Deus. É bastante surpreendente que notamos nossas necessidades quando começamos a seguir ao Senhor. No entanto, não somos nós já cristãos? Por que, então, deveríamos estar necessitados? No entanto é assim que nos sentimos de fato. Somos novos cristãos mas com deficiências, elas não são apropriadas, portanto nós lutamos para tratar com elas.
Nós oramos e esperamos, cremos e desejamos, e mais ainda, obtemos o que necessitamos. E certamente sentimos bem quando vencemos nossa deficiência especial. Nosso coração se regozija no fato de que obtivemos uma dádiva.
Ora, neste tipo de situação muitos filhos de Deus compreendem o dom e a graça de Deus, compreendem a graça de Deus como aquilo que reabastece a nossa necessidade. Na verdade, um certo número de pessoas provavelmente dirá: para o que mais é a graça de Deus, se não é para preencher a nossa falta? Eu tenho aqui uma Bíblia com mil páginas. Está faltando a página que pede a Deus para me reabastecer com Sua graça (se de fato existe tal página). Em outras palavras, o que me falta são apenas pedaços, mas serei completo quando este pedaço for preenchido. Algumas pessoas precisam de dez pedaços porque é disto que têm falta. Meu amor pessoal é provavelmente quase perfeito, apesar de que seria ainda melhor se um pouco de humildade e de paciência fossem adicionados. Eu posso ainda precisar desses bocados, mas serei perfeito após eles serem acrescentados. O conceito do homem é sempre uma questão de falta ou necessidade; em conseqüência, ele geralmente pede a Deus por esse suprimento especifico.
A situação é, portanto, como se segue. Todas as cousas nos faltam e por elas pedimos; objetos que podem ser contados em números. Declaramos que estamos em falta disto ou daquilo e que, se apenas Deus suprisse esta necessidade, tudo ficaria bem conosco. Suponha que necessitamos de paciência. Qual tipo de paciência exatamente nós esperamos ter? Nossos olhos raramente se elevam aos céus buscando o nosso padrão; ao contrário; geralmente olhamos ao nosso redor: "Que pena que não sou tão bom como fulano-de-tal! Ele é tão paciente, enquanto eu sou tão genioso. Ele é tão gentil, enquanto que eu sou tão orgulhoso. Gostaria que eu pudesse ser tão paciente e gentil como Ele é." Há algum tempo atrás, sendo a primeira vez que orei após a minha salvação, pedi a Deus que me desse uma Bíblia como a que certo irmão tinha. Freqüentemente nós só conseguimos orar pelo que vemos concernente a outros. Somos incapazes de pedir algo do céu que nunca vimos. Nós, portanto, oramos por paciência ou por humildade, assim como as que uma certa pessoa possui. Já retratamos em nossa mente o que é humildade ou paciência.
Posso te fazer uma pergunta conjectural? Você ficaria feliz se, logo após crer no Senhor, Deus tomasse a paciência de uma certa pessoa e a depositasse em você? Muito provavelmente você se consideraria perfeito e plenamente satisfeito com tal adição.
Você vê a paciência como uma coisa, aquilo que outros possuem. Uma vez que existe tal característica chamada paciência entre irmãos e irmãs, você também deseja ter tal característica. Freqüentemente você passa a se odiar porque foi mal compreendido por causa do mau gênio. Quão bom seria se você apenas tivesse aquilo que outra pessoa tem. Por esta razão, muitos filhos de Deus admiram a paciência como se ela fosse uma coisa; ou seja, eles anseiam por algo assim como um temperamento controlado. Para eles, paciência é algo que Deus tem, que algumas pessoas aqui na terra têm, mas eles não possuem. A sua necessidade urgente é de terem a paciência adicionada a eles, fazendo-os assim pessoas pacientes também. Aqui está a diferença básica entre um cristianismo defeituoso e um cristianismo real. Muitos do povo de Deus buscam algo que parece estar em todos os lugares, exceto em suas próprias vidas. Eles notam que uma pessoa aqui, outra ali, e outra em algum lugar o tem, mas eles não. Eles buscam, portanto, uma coisa, algo na terra. Tal é o conceito comum no cristianismo. As pessoas perseguem então possuem algum item. Elas se alegram e ficam gratas por aquela coisa que obtiveram.

Cristo Somente

O que muitos falham em reconhecer é que na esfera espiritual nada há além de Cristo. Não há paciência, nem humildade, nem luz no mundo espiritual; essas coisas não existem. É Cristo somente.
Em vista disso, precisamos ter mais operação de Deus em nossas vidas. Quando somos salvos nos foi mostrado que o que necessitávamos era de Cristo, não de obras. Fomos salvos através de Cristo, não de obras, Fomos salvos através de Cristo e não por nossos esforços. Semelhantemente deveríamos ter uma drástica e cabal revelação assim em nossas preocupações vigentes; ou seja, que precisamos de Cristo, não de coisas. Assim como várias questões foram eliminadas quando nós cremos, muito mais questões que devem ser totalmente naufragadas hoje. Sendo que a única diferença é que o que foi destruído no início eram pecados, enquanto que o que deve ser demolido posteriormente são coisas espirituais. No início, o nosso orgulho, ciúme, vangloria, mau-gênio, ou algum outro pecado foi destruído, hoje nossa paciência, humildade e auto estilo de santidade devem também ser destruídos para que possamos entender que Cristo é a nossa vida e o nosso tudo. Quão vastamente oposto é este cristianismo do cristianismo que as pessoas geralmente concebem.
Um certo número de irmãos e irmãs sempre vêm conversar comigo e me fazer várias perguntas. Você pode estar entre estes, os quais se consideram melhores do que muitas outras pessoas, mas eu temo que você permaneça o mesmo por toda a sua vida, porque o que você tem em si mesmo são apenas coisas. Com respeito a paciência, você é muito paciente; com respeito a humildade, você é, com certeza, bastante humilde; você é brilhante em realizar tarefas e muito bom em sua conduta. Você ama e tem desejado sempre perdoar. De acordo com o padrão do homem, em que outro lugar alguém pode encontrar um cristão bom assim? Mesmo assim eu tenho que lhe dizer de frente que o que você tem em si mesmo são meras coisas. Você tem que chegar a conclusão, diante de Deus, que o que é espiritual não é uma coisa, mas é o Senhor Jesus Cristo. Não é aquilo que você tem, nem o que você pode fazer, nem ainda o que você pode obter, mas somente o que Cristo é. A não ser que Ele se torne aquela coisa em sua vida, nada mais é de qualquer valor espiritual. No mundo espiritual, nada há senão Cristo, uma vez que Ele é o tudo de Deus.

Cristo é a Vida

Seguindo as palavras "Eu sou o caminho e a verdade", O Senhor continua com "e a vida". Estamos atentos ao fato de que a vida resulta espontaneamente em trabalho, mas que o trabalho não pode ser um substituto da vida. Temos que deixar bastante claro aqui que o trabalho não é vida - pois a vida não requer esforço, a vida é o próprio Cristo. Como as pessoas labutam para serem cristãs! Como ficamos esgotados por nos esforçarmos diariamente! Bastantes severas são essas doutrinas, pois elas nos demandam ser humildes, gentis, clementes e longânimos. Elas literalmente nos esgotam. Muitos admitem que ser um cristão é uma difícil tarefa. Isto é verdadeiro especialmente para com os novos crentes. Quanto mais eles tentam, mais difícil se torna. Havendo tentado por um período de tempo, eles não apresentam qualquer semelhança com um cristão. Irmãos, se Cristo não é vida, nós temos que fazer o trabalho; mas se Ele é vida, então não precisamos pelejar. Repetidamente dizemos que a vida é o próprio Cristo, e que o trabalho não pode substituir a própria vida.
Existe um grande erro difundido entre os filhos de Deus. Muitos consideram a vida como algo que eles precisam produzir em sua própria força, ou senão não há vida. O que todos nós deveríamos compreender é que se existe vida não haverá a menor necessidade de nossa própria realização, mas essa vida fluirá naturalmente. Considere por um momento como os nossos olhos vêm e nossos ouvidos ouvem. Nossos olhos vêem bastante naturalmente e nossos ouvidos ouvem espontaneamente porque existe vida neles. Temos que ter clareza neste ponto: a vida flui naturalmente em serviço, mas o serviço nunca é um substituto para a vida. Algumas vezes o serviço prova, ao contrário, ausência de vida ou fraqueza de vida. A vida resultará em boa moral, mas a boa moral não é páreo para a vida. Por exemplo, um irmão pode ser muito gentil, moderado e reservado. Alguém o louvaria dizendo: "A vida deste irmão não é má." Não, ele usou a terminologia errada. Pois o Senhor diz: "Eu sou a vida". Não importa o quão gentil, moderado e reservado este irmão possa ser, se essas coisas não vêem de Cristo, elas não são reconhecidas como sendo vida. É perfeitamente correto dizer que este homem possui um bom temperamento ou que ele raramente causa qualquer problema, ou que ele sempre trata as pessoas bondosamente e nunca briga; mas não pode ser dito que ele tem uma vida espiritual rica. Se estas coisas são naturais para ele, elas não são vida, pois elas não vêm de Cristo.
Outras pessoas abrigam outro pensamento. Elas concluem que a vida é o poder. Ter o Senhor como nossa vida significa receber poder Dele para fazer o bem. No entanto, Deus nos mostra que o nosso poder não é uma coisa, é simplesmente Cristo. Nosso poder não é a força para realizar coisas, mas em vez disso é uma Pessoa. Vida para nós não é apenas poder, mas também uma Pessoa. É Cristo que manifestou a Si mesmo em nós, em vez de nós utilizarmos a Cristo para exibir as nossas boas obras.
Certa vez um irmão que se reunia em determinado lugar foi abordado por um cristão mais velho que lhe perguntou: "Por que você se reúne lá?" "Porque lá há vida", ele respondeu. O mais velho disse: "É verdade, com respeito a entusiasmos as nossas reuniões não são comparáveis àquele lugar". "Você não entendeu", replicou este irmão. "Aquele lugar não tem uma atmosfera agitada de forma alguma". "O que você quer dizer?", perguntou o irmão mais velho "Como pode haver vida se não é fervorosa?" O irmão mais jovem respondeu: "não há nada de barulhento ali, e no entanto há vida. Pois a vida não tem que ser excitante emocionalmente, ou entusiasta ou ardorosa, ou barulhenta". Aquele homem mais velho então filosofou: "Talvez os jovens gostem de fervor, mas eu prefiro palavras profundas. Quando eu ouço palavras profundas, eu encontro vida. Eu acho que isto é realmente vida". Mas o irmão jovem retornou: "Muitas vezes eu tenho ouvido as palavras profundas às quais você se refere, mas não tenho encontrado vida alguma". Queridos, da conversa desses dois homens, podemos ver que a vida nem é uma agitação emocional, nem palavras profundas. Palavras de sabedoria, ditos inteligentes, argumentos lógicos e dissertações meditativas não são necessariamente vida.
Não é de se surpreender que alguém indague: "Quão estranho é que a vida não é fervor nem pensamento animador. Onde, então, podemos encontrar vida? O que é vida, afinal de contas?" Nós confessamos que não temos uma maneira melhor de expressar este assunto de discurso de vida. Tudo o que podemos dizer é que é algo mais profundo do que um pensamento. Uma vez que alguém a encontra, instantaneamente será vivificado interiormente. Isto é chamado vida.
O que é vida? Vida é mais profundo do que pensamento; o pensamento nunca supera a vida. Ela é também, mais profunda que a emoção; a emoção é superficial em comparação a vida. Tanto o pensamento quanto a emoção são algo relativamente externos. O que, então, é vida? O Senhor Jesus declarou: "Eu sou a vida". Não deveríamos concluir apressadamente que encontramos vida quando tudo o que encontramos foi um tipo de atmosfera fervorosa, tal como a chamada atmosfera espiritual fervorosa. Em vez disso, deveríamos perguntar qual a procedência de tal atmosfera. Bastante experiências confirmam para nós que muitos que são hábeis na criação de atmosferas fervorosas conhecem muito pouco do Senhor. Somente Cristo é vida, o resto não o é. Nós precisamos aprender a lição de conhecer a vida. Pois a vida não depende de quão numerosos são os nossos pensamentos; ela descansa exclusivamente no fato do Senhor manifestar a Si próprio. Portanto, nada há mais importante do que conhecer o Senhor. À medida em que O conhecemos, tocamos a vida. Nós temos que compreender diante de Deus o significado de Cristo ser a nossa vida. Aqueles que ficam facilmente entusiasmados ou que são excepcionalmente inteligentes, não são necessariamente pessoas que conhecem ao Senhor. Para conhecê-Lo é necessário visão espiritual. Tal visão é vida, e ela nos transforma. Se nós conhecemos o Senhor como nossa vida, compreendemos a absoluta futilidade de todos os nossos esforços naturais em questões espirituais. Portanto nós olhamos somente para Ele.
Quando cremos no Senhor, não compreendemos o que realmente significa olharmos para Ele. Mas gradualmente vamos aprendendo a olhar para Ele, havendo reconhecimento do que tudo depende de Cristo, e não de nós. No inicio de nosso caminhar cristão desejávamos possuir uma coisa após outra; não conseguíamos confiar Nele para todas as coisas. Após termos aprendido um pouquinho mais, entretanto, recebemos algum entendimento quanto à necessidade de confiarmos Nele; Não no sentido de crer que ele nos outorgará item após item, mas no sentido de confiar que Ele fará o que somos incapazes de fazer por nós mesmos. Quando nos convertemos, éramos inclinados a fazer tudo por nós mesmo, temendo que as coisas nunca seriam feitas ou que as questões partiriam em pedaços se nós não as resolvêssemos. Portanto, trabalhávamos o tempo todo. Mais tarde, ao vermos que o Senhor é a nossa vida, conhecemos que tudo é de Cristo, não de nós mesmos. Conseqüentemente aprendemos a descansar e olhar para Ele.
Vamos guardar em mente que em vez de nos dar um objeto após outro, Deus dá o Seu Filho para nós. Por causa disto, podemos sempre elevar nossos corações e olhar para o Senhor, dizendo, "Senhor, Tu és o meu caminho; Senhor, Tu és a minha verdade; Senhor, Tu és a minha vida. És Tu, Senhor, que estás relacionado comigo, não as Tuas coisas". Possamos pedir a Deus para nos dar graça para que possamos ver a Cristo em todas as coisas espirituais. Dia após dia somos convencidos de que à parte de Cristo não há qualquer caminho, nem verdade, nem vida. Quão facilmente nós fazemos das coisas como sendo o caminho, a verdade e a vida. Ou, chamamos uma atmosfera fervorosa de vida, rotulamos um pensamento lúcido como sendo vida. Consideramos uma emoção forte ou uma conduta exterior como vida. Na realidade, entretanto, estas coisas não são vida. Temos que compreender que somente o Senhor é a vida. Cristo é a nossa vida. E é o Senhor quem vive está vida em nós. Peçamos a Ele para nos livrar de muitos afazeres externos e fragmentados, para que possamos tocar apenas Nele. Que possamos ver o Senhor em todas as coisas - caminho, verdade e vida são todos encontrados em se conhecer a Ele. Que possamos realmente nos encontrarmos com o filho de Deus e deixá-Lo viver em nós. Amém.
Autor: Watchman Nee 
Extraído da Revista, À Maturidade número 25, Verão de 1994. Fonte: rádio árvore da vida

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Purificados por várias provações


ara que, uma vez confirmada a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo (1 Pe 1:7 - lit.)
Mt 3:11; 1 Pe 4:12-13
Árvore da Vida, Dong Yu Lan, Alimento Diário, Estudos BíblicosO que Paulo escreveu sobre a economia de Deus na Fé, segundo a revelação que obtivera, Pedro vivenciou e relatou em suas epístolas, quando já estava mais maduro. No tempo em que passou ao lado de Jesus, por ter suas fraquezas expostas frequentemente, nas mais diversas situações de sua vida, Pedro aprendeu a negar-se a si mesmo e a permitir o trabalhar da natureza de Deus em seu ser.
Pedro foi levado a negar a si mesmo por meio dos sofrimentos pelos quais passou, que eram como o queimar do fogo em seu interior para acabar com seu ego, com sua forte vida da alma, que sempre se manifestava. Cremos que mais tarde, ao se lembrar das palavras que o Senhor havia dito enquanto estava entre eles, Pedro se arrependeu e fez questão de nos alertar em seus escritos, da importância da prova ardente do fogo pela qual todos precisamos passar (1 Pe 1:6-7).
Em sua primeira epístola, Pedro nos encoraja dizendo que, se for necessário, seremos contristados por várias provações. Isso, entretanto, é para que seja confirmada a prova da nossa fé, que é muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo depurado pelo fogo.
As provações são como o purificar do ouro. Em nossa fé há “ouro”, isto é, há natureza divina; porém, em nossa alma ainda há muitas impurezas que precisam ser “queimadas” e eliminadas para que a vida divina cresça e a permeie com o Espírito.
Esse fogo que prova nossa fé faz parte da obra do Espírito em nós. É o mesmo fogo mencionado por João Batista, quando este disse que Aquele que viria após ele batizaria com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3:11). Muitas vezes, sentimos que algo queima em nosso interior quando exercitamos nosso espírito. Por isso, ao cantar hinos em louvor a Deus, alguns até chegam a pular de alegria. Esse queimar interior é o fogo do Espírito que em nós habita.
Quanto mais exercitamos nosso espírito, mais fácil será para nos arrependermos e mais o fogo do Espírito queimará tudo o que é negativo em nós. Assim praticando, obteremos o fim de nossa fé, a salvação de nossa alma (1 Pe 1:9 Fonte: rádio árvore da vida

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eis que as trevas cobrem a terra - Watchman Nee

"Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti" (Is 60.1-2)
A luta hoje parece se tornar mais pesada dia a dia, como se o único alvo dos ataques de Satanás fosse nós, os crentes. Por isso, na era atual, o problema que existe é se você e eu podemos perseverar até a última meia hora. "[Satanás] Magoará os santos do Altíssimo" (Dn 7.25). Magoar tem aí o sentido de "desgastar", consumir devagar. É muito mais difícil reconhecer Satanás como aquele que desgasta os santos do que um Satanás que ruge como um leão. E a sua obra de consumir lentamente os santos já começou.
Sempre que vou à Montanha Kuling, caminho ao longo da correnteza que há ali. Freqüentemente vejo rochas enormes, mas que são côncavas no meio como bacias de tomar banho. Isto acontece por causa das muitas pedrinhas que diariamente as desgastam. Do mesmo modo Satanás trata os filhos de Deus. Em lugar de matá-los de um só golpe, tenta desgastar os santos, dia a dia, de modo que sem que percebam acabam gravemente feridos depois de algum tempo.
Os olhos do Senhor estão sobre nós, portanto não temamos o sofrimento. Se acontecer de nós nos desviarmos com medo do sofrimento, todos os nossos sofrimentos do passado terão sido em vão. Uma pessoa profundamente espiritual escreveu certa vez: Quando lemos 2 Tessalonicenses 2.3 e 2 Timóteo 3.1-13, ficamos sabendo que antes do dia da volta do Senhor haverá apostasia e dias perigosos quando a maldade e a mentira aumentarão grandemente. Tal apostasia não se refere à educação, gigantescas reuniões, pastores capazes, catedrais maravilhosas e progresso mental e físico. Relaciona-se com a fé e o reconhecimento do poder de Deus. Aponta para igrejas renomadas que se inclinam para a chamada Alta Crítica (na verdade não passa de incredulidade), e negam as obras sobrenaturais de Deus, tais como a regeneração, a santidade, orações atendidas e a revelação do Espírito Santo.
Antes da vinda do Senhor, haverá muita fraude e muito erro; e, se fosse possível, até os escolhidos seriam enganados. A "forma da piedade" será aumentada. A fé será diminuída por causa de credos falsos, engendrados por Satanás, e também o amor pelo mundo e a negação da palavra de Deus. Um irmão disse bem: tais obras satânicas produzirão um efeito intangível que nos envolverão como o ar. Haverá uma forma de piedade exterior, mas por dentro estará cheia de maus espíritos e da melancolia do inferno. Esses espíritos malignos farão o máximo para desviar e oprimir os filhos de Deus. Atacarão nosso corpo, diminuirão nossa vontade e embrutecerão nossa mente. Toda espécie de sensações e provações estranhas nos sobrevirão, fazendo-nos perder o desejo de buscar a Deus e a força de fazê-lo, cansando nosso espírito, embotando nossa mente e tornando-a entorpecida e, ao mesmo tempo, fazendo-nos estranhamente amar os prazeres e costumes do mundo como também cobiçar as coisas proibidas por Deus.
Perderemos a liberdade e o poder de pregar; não poderemos nos concentrar para ouvir as mensagens; e seremos incapazes de nos ajoelhar para orar dedicadamente por algum período mais longo. Tais trevas e tal atmosfera deverão ser enfrentadas com resolução. Sem dúvida Satanás procura obscurecer nossa mente e vontade com uma espécie de poder inconcebível para que se torne extremamente difícil andar com Deus e muito fácil viver de acordo com a carne. Acharemos que é difícil servir a Deus fielmente e orar com perseverança, como se tudo dentro de nós se levantasse para impedir-nos de seguir o Senhor Jesus até o fim e fazer-nos concordar com o mundo.
A atmosfera à nossa volta nos obrigará a trair a Deus e a desistir de nossas sinceras orações. Embotará nossa sensibilidade espiritual para que não vejamos as realidades celestiais ou a gloriosa presença do Senhor. Assim facilmente negligenciaremos a comunhão com Deus e descobriremos que é difícil manter comunhão com ele.
Já estamos sentindo o começo destas influências. A concupiscência do mundo tece sua rede extensa de muitas maneiras à volta dos crentes. Torna-se cada vez mais apertada e mais forte com o passar do tempo. Muitas coisas que nas gerações passadas eram inimagináveis agora estão sendo praticadas sem restrição. Muitos lugares de adoração não só resistem à entrada de coisas espirituais, bloqueando reavivamentos, mas também introduzem toda espécie de festejos e coisas duvidosas.
Falando de um modo geral, em todo o mundo, a diminuição da fé e o desenvolvimento da apostasia são evidentes. Naturalmente, reconhecemos que ainda há muitos lugares abençoados por Deus. Mas examinando a situação da igreja no mundo inteiro como um todo, não deixa de apresentar um quadro digno de dó.
Tendo visto estas coisas, não podemos deixar de gritar à igreja de Deus que se levante, que desperte, que retorne à comunhão com Deus e que agrade ao Senhor no tempo que ainda resta. Estejamos preparados para comparecer diante do tribunal de Cristo e apresentar o nosso caso. Fonte: rádio árvore da vida

Crescer em vida, praticar a palavra e manifestar o amor

O saber ensoberbece, mas o amor edifica (1 Co 8:1). Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganandovos a vós mesmos (Tg 1:22)
Mt 13:1-9, 14-22; At 19:9-10; 2 Tm 2:24
Somos gratos ao Senhor por toda a revelação que temos recebido. Quando cremos em Seu nome, recebemos pela fé a salvação de nosso espírito. Hoje nossa meta e esperança é estar preparados para a vinda do Senhor. Enquanto aguardamos e apressamos esse glorioso dia, devemos viver a vida da igreja em amor, pregando o evangelho do reino e ajudando outros a crescer na vida de Deus. Assim, receberemos nosso galardão no reino milenar.
Nas últimas semanas, nos foi mostrado acerca das sete parábolas registradas em Mateus 13. Nelas estão revelados os mistérios do reino dos céus. Como já vimos no passado, estas parábolas possuem estreita ligação com as sete igrejas descritas nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse. Toda essa revelação tem como fim nos preparar adequadamente para ser vencedores e ganhar o galardão.
A igreja em Éfeso é a primeira descrita em Apocalipse 2 e relaciona-se com a parábola do semeador (Mt 13:1-9). Éfeso significa desejável, e embora tivesse este nome, por algum tempo a igreja em Éfeso não praticou os ensinamentos do apóstolo, tomando-os apenas como doutrinas para estudar e discutir. Naquela época, os irmãos de Éfeso viviam na esfera da alma, tendo o coração endurecido pelo conhecimento doutrinário. Por essa razão, a palavra era infrutífera no meio deles, conforme a descrição da parábola do semeador (Mt 13:14-22).
Paulo descreveu sua preocupação pela igreja em Éfeso ao escrever para Timóteo: “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na Fé” (1 Tm 1:3-4). Por darem atenção excessiva à discussão de doutrinas, esqueceram-se de atentar para o crescimento de vida, que resulta na manifestação do amor.
O próprio apóstolo Paulo, no período em que permaneceu em Éfeso, em sua terceira viagem ministerial, deu muita ênfase ao ensinamento das verdades, tanto na sinagoga como na escola de Tirano, onde, por três meses e dois anos, respectivamente, discorria acerca do reino de Deus, e muitos vinham de toda a Ásia para ouvi-lo (At 19:8-10). Desde o início de Seu chamamento, Paulo gostava de discutir sobre as verdades que conhecia, mas depois, em sua velhice, aprendeu que o servo de Deus não vive a contender (2 Tm 2:24).
Infelizmente, esse modelo de ensinar doutrinas, no qual uma pessoa prega e um grupo apenas ouve, influenciou muitos grupos cristãos da atualidade. Esse modelo acaba se tornando um impedimento para o crescimento espiritual da maioria dos filhos de Deus. Se apenas somos meros ouvintes da Palavra de Deus, e não praticantes, envelhecemos em vez de crescer e perdemos a oportunidade de ser úteis ao Senhor nesta era.
Que o Espírito opere em nós, levando-nos à prática das verdades recebidas, a fim de manifestar o amor de Deus às pessoas.

O Senhor está chamando vencedores

O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho (Ap 21:7)
Mt 13:4-8, 19, 24-32; Ap 2:7, 11, 17, 26-27; 3:5, 12, 21
O falar do Senhor aos vencedores das sete igrejas da Ásia, mencionadas em Apocalipse 2 e 3, está relacionado às parábolas de Mateus 13. A primeira parábola é a do semeador: “Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho e, vindo as aves, a comeram. Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo porém o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. Outra caiu entre os espinhos e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um” (vs. 3-8).
A condição inicial da igreja em Éfeso pode ser comparada à semente lançada à beira do caminho e que é arrebatada pelas aves. No princípio, a igreja apresentava uma situação anormal por causa do predomínio das discussões sobre doutrinas, gerando ensinamentos diferentes, uma vez que se ocupavam com fábulas e genealogias sem fim (1 Tm 1:3-4). Isso levou o coração dos irmãos a endurecer, como era a terra à beira do caminho, e consequentemente abandonaram o primeiro amor. Depois de receber ajuda do apóstolo João, a igreja foi restaurada à condição de boa terra, de modo que os irmãos se tornaram frutíferos e estavam prontos a sofrer por causa do evangelho.
Foi nessa condição que surgiu a igreja em Esmirna. Ela passou por um período de perseguição e sofrimento que pode ser comparado ao que o trigo sofre por causa do joio na segunda parábola: “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. [...] Deixai-os crescer juntos até à colheita e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro” (Mt 13:24-26, 30). Como nós já vimos, o joio concorre com o trigo para receber a luz do sol e os nutrientes da terra a fim de crescer. Isso ilustra o quanto a igreja sofreu debaixo das perseguições no período da igreja em Esmirna. Todo esse sofrimento, contudo, produziu muitos vencedores.
A terceira parábola é a do grão de mostarda: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos” (vs. 31-32). A mostarda é uma hortaliça que serve de alimento para o homem, mas nessa parábola apresenta uma situação anormal, pois cresceu e se tornou uma grande árvore. Isso não está de acordo com o princípio da criação de Deus quando, no terceiro dia, a terra produziu relva, ervas e árvores, cada uma segundo a sua espécie (Gn 1:11-12).
Essa parábola está relacionada com a igreja em Pérgamo. A igreja como grão de mostarda deveria alimentar as pessoas com a revelação da Palavra de Deus e supri-las de vida, mas no período de Pérgamo ela se desenvolveu de maneira anormal a ponto de se tornar habitação de Satanás (Ap 2:13). De acordo com o princípio adotado pelo Senhor na parábola do semeador, as aves são o maligno (Mt 13:4, 19, 32); então, quanto mais ramos, mais espaço há para o maligno. Mesmo nessa condição, Deus chama vencedores. Todavia não devemos buscar um crescimento anormal, abrindo portas para o maligno vir “aninhar-se”. Nossa função é tão somente alimentar, suprir as pessoas com Espírito e vida.
Louvado seja o Senhor! Hoje, em cada igreja, Deus está chamando vencedores. Aleluia! Fonte: Rádio árvore da vida

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pregar com amor o evangelho do reino


Todos os vossos atos sejam feitos com amor (1 Co 16:14)
Mt 16:19; 24:14; Tt 3:9; 2 Pe 1:8-11
As quatro últimas igrejas mencionadas em Apocalipse – Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia – permanecerão até a volta do Senhor. Devemos estar preparados para a manifestação do reino do Senhor, praticando a Palavra e pregando o evangelho do reino.
A igreja em Filadélfia tem uma porta aberta a qual ninguém pode fechar e, além disso, tem a chave de Davi, que se refere às chaves do reino. Temos visto que o caminho para seguir o Senhor é negar a vida da alma e desempenhar nosso ministério. Quando negamos a nós mesmos e nos arrependemos, estamos utilizando essa chave para entrar no reino (Mt 16:19). O mesmo ocorre quando somos aperfeiçoados no exercício dos nossos dons. Se vivemos e andamos no espírito, a entrada no reino nos será amplamente suprida (2 Pe 1:8-11).
Historicamente, coube à igreja em Sardes restaurar o evangelho da graça. Hoje, o evangelho da graça já foi pregado em toda a terra. Como a restauração não foi completa, Deus ainda precisa de pessoas para propagar o evangelho do reino. Para isso, Ele conta conosco (Mt 24:14).
Devemos evitar os debates doutrinários e as discussões que só geram contendas, para pregar, com amor, o evangelho do reino (Tt 3:9). Essa é a nossa incumbência e devemos levá-la a cabo como servos bons e fiéis. Por termos pouca força, precisamos ser fortalecidos invocando o nome do Senhor. Dessa maneira, estaremos no espírito e aptos a suprir a vida de Deus às pessoas, levando-lhes a fé por meio do Espírito e da Palavra. Que o Senhor seja conosco, para que conservemos nossa coroa até o fim. Font: Rádio árvore da vifda

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Pregar o evangelho do reino é uma comissão especial

À medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus (Mt 10:7)
Mt 3:2; 4:17
Em mensagens anteriores vimos que o Evangelho de Mateus apresenta pelo menos três ocasiões em que é enfatizado que o reino dos céus está próximo (Mt 3:2; 4:17; 10:7). Em cada um desses momentos, vemos que a vinda do reino está associada ao arrependimento e à pregação do evangelho. Por isso, quando lemos “arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”, precisamos experimentar a realidade dessas palavras.
Pela misericórdia de Deus o evangelho do reino nos alcançou, trazendo-nos a revelação da necessidade de crescermos em vida. À medida que a vida de Deus cresce em nós, somos capacitados a perceber quando nossa natureza anímica se manifesta. Quanto mais recebemos a luz divina, mais somos conduzidos ao arrependimento e, por fim, nos deixamos ser purificados pelo fogo do Espírito.
Por isso buscamos viver no espírito, invocando o nome do Senhor e negando a nós mesmos. O resultado dessas práticas é um viver segundo a vontade de Deus, que nos prepara para o dia em que o reino dos céus irá se manifestar.
O Senhor também deseja nos enviar para pregar o evangelho do reino a todas as pessoas. Muitos cristãos conhecem somente o evangelho da graça, isto é, o que Cristo fez por eles na cruz. Cabe, portanto, àqueles que já tiveram a revelação do evangelho do reino essa comissão especial de anunciar a todos os homens que o reino está próximo.
Nesta semana veremos que, por um lado, Deus está trabalhando em nosso coração a fim de torná-lo uma boa terra. Por outro lado, Ele deseja que sejamos Seus semeadores. A Palavra de Deus nos mostra que a pregação do evangelho do reino, o evangelho da vida, é uma semente que devemos semear. Que o Senhor nos dispense mais de Sua graça e nos
aperfeiçoe nesse encargo de levar e semear a vida divina a todos. Amém! Fonte: Rádio árvore da vida